Já ouviu discurso de quem quer morar sozinho? É sempre o mesmo. Parece até receita de pão-de-ló:
1. Preciso de liberdade.
2. Minha casa vai ser sempre cheia de amigos.
3. Vou curtir adoidado.
4. Ninguém vai reclamar da toalha em cima da cama.
5. Não terei que dar satisfações.
6. Vou ter um computador só meu.
7. Terei o meu espaço.
8. E este monte de lenga-lenga que você já sabe de cór!
Mas tem um desejo em especial que é unânime: "Terei uma cama de casal só minha! Vou rolar e rolar, me esparramar!"
Todo mundo fala isso! Eu também falava. E comprei-a.
Pense num pulo que dei nela. Iuhuuuu!!! Liberdade!!! Parecia criança no pula-pula.
Na noite de estréia, tentei aproveitá-la da melhor forma. Abria bem os braços, virava pra lá e pra cá. Cansei de tanto rolar e acabei dormindo.
De manhã, lá estava eu na pontinha dela, assim como eu ficava na de solteiro. Que raiva! Poxa, tinha 100% e usei só 40%. Isso não podia ficar assim! Então passei a deitar no meio.
O corpo institivamente queria ir para a posição de costume e eu lá, educando meu cérebro para as coisas boas da vida.
Consegui dormir no meio da cama. Que alegria!!!
Só que o mundo reage às mudanças. Não vê com o aquecimento global?
Numa madrugada, acordei com vontade de ir ao banheiro. Meu cérebro, tadinho, pensou que eu estava na cama de solteiro e quando me virei, já querendo colocar os pés no chão, ainda estava no meio da cama. Por causa da força que coloquei, quiquei e foi parar no guarda-roupas.
Como diz meu pai: "Pense numa queda!!!"
O barulho foi tão grande que os vizinhos devem ter acordado. Senti meu pé doer, mas estava com tanto sono que fui ao banheiro e voltei a dormir.
Só no dia seguinte vi o estrago - cama suja de sangue e o dedão do pé faltando um pedaço.
Desde então, os 60% da minha cama continua sem uso!