sexta-feira, 13 de junho de 2008

Reportagem: Morar só - uma decisão madura

Reportagem para a rádio UCB, em abril de 2008.
por Suzi Amanda

Falando sobre o blog

O porquê da escolha do tema para o blog e um pouco sobre Jornalismo.

Conversando com Vinícius Rocha sobre seu blog

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terça-feira, 27 de maio de 2008

A cama

Já ouviu discurso de quem quer morar sozinho? É sempre o mesmo. Parece até receita de pão-de-ló:
1. Preciso de liberdade.
2. Minha casa vai ser sempre cheia de amigos.
3. Vou curtir adoidado.
4. Ninguém vai reclamar da toalha em cima da cama.
5. Não terei que dar satisfações.
6. Vou ter um computador só meu.
7. Terei o meu espaço.
8. E este monte de lenga-lenga que você já sabe de cór!
Mas tem um desejo em especial que é unânime: "Terei uma cama de casal só minha! Vou rolar e rolar, me esparramar!"
Todo mundo fala isso! Eu também falava. E comprei-a.
Pense num pulo que dei nela. Iuhuuuu!!! Liberdade!!! Parecia criança no pula-pula.
Na noite de estréia, tentei aproveitá-la da melhor forma. Abria bem os braços, virava pra lá e pra cá. Cansei de tanto rolar e acabei dormindo.
De manhã, lá estava eu na pontinha dela, assim como eu ficava na de solteiro. Que raiva! Poxa, tinha 100% e usei só 40%. Isso não podia ficar assim! Então passei a deitar no meio.
O corpo institivamente queria ir para a posição de costume e eu lá, educando meu cérebro para as coisas boas da vida.
Consegui dormir no meio da cama. Que alegria!!!
Só que o mundo reage às mudanças. Não vê com o aquecimento global?
Numa madrugada, acordei com vontade de ir ao banheiro. Meu cérebro, tadinho, pensou que eu estava na cama de solteiro e quando me virei, já querendo colocar os pés no chão, ainda estava no meio da cama. Por causa da força que coloquei, quiquei e foi parar no guarda-roupas.
Como diz meu pai: "Pense numa queda!!!"
O barulho foi tão grande que os vizinhos devem ter acordado. Senti meu pé doer, mas estava com tanto sono que fui ao banheiro e voltei a dormir.
Só no dia seguinte vi o estrago - cama suja de sangue e o dedão do pé faltando um pedaço.
Desde então, os 60% da minha cama continua sem uso!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

O primeiro dia

O primeiro dia a gente nunca esquece. kkkk
Expectativa, emoção à flor da pele, aquela ansiedade que dá taquicardia.
Já sentiu isso, né?
Reações de simples mortais que não podem prever o futuro. É como entrar em um campo de guerra e não saber atirar. A solução é encarar! Aprender com os companheiros, desviar dos percalços, parar um pouco para descançar e ai, cruzar a trincheira e descobrir o que tem do outro lado.
Você vai perceber que existem apenas dois destinos: o bom e o mal. Então, melhor não arriscar? Mas se não arriscar como saber?
É pensando assim que aprendi a encarar a vida sem maquiagem.
No meu primeiro dia, a ansiedade acabou, assim como acaba dinheiro na minha carteira quando passo perto de loja de roupas em liquidação. Foi assim...
Entrei no caminhão de mudança e não olhei para trás.
Não foi como na música do Zezé de Camargo: "No dia em que eu sai de casa minha mãe me disse filho vem cá..."
Tudo foi simples, assim como tem que ser.
Meus pais me acampanharam até lá, é claro! Me ajudaram a arrumar tudo. E no final daquela tarde de sábado, me deixaram com um beijo, na porta do prédio.
Vou revelar uma coisa a vocês que eles são sabem. Quando fechei a porta da entrada do prédio, fiquei ali, ainda, os olhando pelo vidro, até sumirem na esquina da rua. Subi os dois andares de escadas devagar e entrei no meu novo lar. Passeei por cada cômodo, fui à varanda e olhei a vizinhança. Algumas crianças brincavam de jogar futebol, alguns homens bebiam no bar ao lado e eu sorria. Uma paz me tomou e, aí percebi que tinha tomado a decisão certa.
À noite, antes de dormir, rezei. Pedi a Deus para que ficasse comigo. Então, adormeci.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A decoração

Um dos grandes prazeres de morar só é escolher a decoração da casa. Cada cantinho dela tem a cara do dono. Tudo escolhido para marcar personalidade, território.
Assim como se escolhe roupas para transmitir um estilo próprio, assim também é com o lar, só que em proporção maior.
Eu adorei cada momento de minhas compras para a casa nova, exceto um - a hora de pagar!
Nossa, como é caro montar uma casa! Gastei o dobro do que planejei. Coisas essenciais que parecem supérfulas não entram na lista de compras. A sanduicheira, no meu caso, foi uma delas. Como ela me quebra um galho, viu! Meus pães amanhecidos não são os mesmos depois do trato que ela dá neles, além do tempo que ganho fazendo outras coisas ou quando estou com preguiça de sair para comer e ela me socorre. Amiga leal e fiel!
Sendo assim, lá vai um conselho para os futuros moradores solitários: reserve uma grana a mais do que planeja gastar, porque nem só de geladeira e cama vive o homem!

Reportagem

Morar sozinho, uma tendência mundial

Independência é o principal motivo que desperta nas pessoas o desejo de morarem sozinhsa. A casa dos pais, nem sempre, é tão acolhedora como se imagina. Mas existem outras razões para que tantos, atualmente, decidam optar por não dividir sua vida com mais ninguém: o aumento dos divórcios, o adiamento da decisão de casar e a longevidade que aumenta a cada década são algumas delas.
Uma pesquisa da The Future Foundation, realizada no Reino Unido, em 2002, revela que pela primeira vez na história, a soma das pessoas que vivem sós já é maior do que as das que vivem em famílias, entre os ingleses. E esta é uma tendência mundial.
No começo do século XX, falava-se em êxodo rural, época em que as famílias deixavam o campo e migravam para as cidades. Hoje se pode falar em êxodo familiar. Cada vez mais as pessoas estão buscando sua individualidade, mas o convívio em família não tem permitido isso plenamente.
Muitos se enganam que morar só é sinônimo de solidão. "Sempre gostei de ter meu espaço. Era algo que já buscava desde a adolescência. Moro sozinho a quase 4 anos, tenho paz, silêncio, faço meu próprio horário, além de escolher quem freqüenta minha casa.", diz Egon Pereira, 28 anos, divorciado.
Já para Ricardo Nascimento, 23 anos, solteiro, o motivo foi o trabalho. "O fato de morar próximo ao meu trabalho me ajuda muito. Além de não precisar enfrentar o trânsito estressante, eu posso acordar mais tarde sem me preocupar com atrasos. Mas não tenho como negar que sinto falta de alguém de vez em quando, de uma pessoa pra comentar as notícias do jornal, de rir junto assistindo um filme ou até mesmo dividir um pacote de biscoitos", diz.
Contas a pagar e saúde são outros pontos que preocupam e desestimulam muitos que desejam viver sós. Água, luz, telefone, internet, aluguel são palavras que deixam qualquer um a ponto de enlouquecer, ainda mais quem tem que arcar com tudo sem a ajuda de alguém.